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sábado, 21 de janeiro de 2012

O amor filial

A constituição de uma família não é resultado de acidente biológico, mas de uma programação que lhe precede à estrutura física e social. As Soberanas Leis da Vida estabelecem códigos que se expressam automaticamente conforme as circunstâncias, obedecendo a padrões de comportamentos que estatuem as ocorrências no processo da evolução dos indivíduos em particular e da sociedade como um todo. Os pais, por isso mesmo, não são seres fortuitos que aparecem à frente da prole, descomprometidos moral e espiritualmente.
São pilotis da instituição doméstica, sobre os quais se constróem os grupos da consanguinidade e da afetividade. Mesmo quando aparentemente emprestam as moléculas físicas para o renascimento dos Espíritos, encontram-se sob jurisdição da Providência Divina, que jamais improvisa ou experimenta surpresas que são inadequadas ao equilíbrio Cósmico. Os filhos, por sua vez, renascem através daqueles com os quais têm compromissos morais de gravidade para o desenvolvimento espiritual de ambos: genitores e descendentes.
Desse modo, a vinculação pelos laços do sangue possui um significado expressivo do ponto de vista ético, que não pode ser desconnsiderado. À Luz do Espiritismo, bem como da psicologia profunda, as heranças do código genético impõem condicionamentos positivos ou negativos, a que o ser reencarnante se submete por necessidade de reeducação interior, de reparação de desmandos, conquistas relevantes sob qualquer aspecto consideradas.
Não sendo o ser real o corpo, mas o Espírito pelo qual se expressa e que o comanda, todos os processos pertinentes à sua existência devem transcorrer dentro dos sentimentos de afeição, respeito pelos pais, mesmo quando esses não correspondem à elevação do ministério de que se fizeram instrumento. Nesse sentido, a piedade filial é das mais significativas manifestações de amor que o Espírito se deve impor, ampliando a área dos sentimentos e acrescentando outros deveres, quais os de gratidão, respeito e ternura impostergáveis.

Quando se trata de pessoas não vinculadas através do sangue, mas que se tornaram pais adotivos ou os representam, esse é ainda muito maior, considerando-se que o afeto de que se fizeram objeto possui um caráter mais grandioso, porque destituído da obrigatoriedade que a injunção carnal impõe, quando ocorre a edificação da família. Esse formoso conceito expresso no amar pai e mãe, não se restringe somente ao afeto, à consideração enquanto se encontrem sob sua dependência econômica e civil, mas sobretudo, quando lhes advêm a velhice, o cansaço, a enfermidade e as necessidades que devem ser supridas mediante carinho e devotamento.

O declínio das forças físicas e mentais através das enfermidade e do envelhecimento, que atinge todos quantos têm a existência prolongada, é a fase mais significativa para que os filhos mostrem o seu reconhecimento e amor pelos pais, porquanto, no quebrantar das energias, a amargura, a insegurança e a satisfação transformam-se em verdadeiros calvários para as criaturas humanas. Como o jovem de hoje inevitavelmente, não desencarnando antes, experimentará o processo de alteração celular, o bem que oferte aos genitores, além de dever, é também sementeira para o próprio amanhã.

Muitas vezes os arroubos juvenis, os anseios de gozos, levam os jovens ao esquecimento dos pais, incidindo em grave erro, de que se arrependerão no momento próprio, especialmente quando se tornarem também genitores, dando surgimento a transtornos psicológicos perturbadores sob o açodar da consciência de culpa.

Anuímos com o fato de que muitos pais não correspondem ao dever que lhes diz respeito, atirando os filhos ao abandono, esquivando-se de atendê-los nas suas urgentes necessidades e sofrimentos, conduzindo-se levianamente e sem qualquer escrúpulo. Todavia, essa conduta enferma não justifica que aqueles as sofreram ofertem a mesma moeda de ingratidão e o eqüivalente pão amargo de desrespeito, a fim de não derraparem pela rampa da loucura e da perversidade.

O mandamento maior preconizado por Jesus, recomenda o amor deve ser incessante e inevitável, coroando-se de perdão pelas ofensas recebidas. No grupo familial, esse amor deve nais expressivo, conduzindo o perdão a um tão elevado grau, que quaisquer ressentimentos de ocorrências infelizes se façam ultrapassados pela compreensão das dificuldades emocionais em que os genitores viviam, em razão da sua imaturidade moral, e mesmo de sutis causas que remanesciam de existências anteriores gerando antipatia e mal-estar, que não raro se fazem recíprocos.
Na exteriorização desse sentimento de amor, a caridade é chamada a contribuir, por superar os impositivos afligentes, sustentando o ser moral e amparando-lhe as aspirações do bem, da beleza e da solidariedade, no sadio desejo de contribuir em favor da felicidade geral. Há famílias desagregadas em clima de permanente perturbação, nas quais as lutas encarniçadas se fazem entre os seus membros, não poupando a ninguém.

Ocorre que nelas o campo de batalha das reparações espirituais se apresenta organizado, a fim de que os litigantes compreendam a ditosa oportunidade de estarem juntos para se ampararem uns aos outros, se desculparem pelas ofensas que se permitiram anteriormente, encontrando novo rumo emocional para a experiência da felicidade. As famílias, por isso mesmo, nem sempre são ditosas ou harmônicas, constituindo agrupamentos de difíceis entendimentos, por faltarem os instrumentos da paz, que cada membro desconsiderou em outra oportunidade mas que agora retornam em carência.

Assim sendo, cada Espírito renasce, não no grupo da própria afetividade entre corações generosos e dignos, mas no clã onde tem necessidade de aprimorar-se pela paciência, pela resignação, pelo silêncio e pela bondade, preparando-se para o enfrentamento com os demais grupos sociais onde deve desenvolver os objetivos superiores da existência. Nesses grupos infelizes de lutas, não poucas vezes, os futuros genitores programam filhos conforme os desejos vãos, induzindo mentalmente os fetos a determinados procedimentos futuros que não são aqueles para os quais retornam ao proscênio e imprimem seus conflitos nas delicadas telas da alma dos reencarnantes, que irão experimentar posteriores distúrbios na área sexual, artística, comportamental, que poderiam ser evitados.
É certo que essa ocorrência encontra-se também estatuída nos compromissos das Leis de causa e efeito, que o livre arbítrio poderia modificar, ensejando as reparações sob outras condições, sem os impositivos mórbidos da frivolidade dos pais. Além das famílias consanguíneas, que oferecem os equipamentos para os renascimentos físicos, existem também aquelas de natureza espiritual, cujos vínculos são mais fortes, ligando os indivíduos que as constituem.

Face às necessidades evolutivas, no entanto, a maioria dos Espíritos retorna aos grupos que lhes serão mais úteis do que naqueles que proporcionariam mais alegrias e bênçãos. Seja porém, qual for o tipo de família em que cada ser se encontre, cumpre-lhe o dever do amor filial e fraternal, para bem desincumbir-se nas tarefas que ficaram na escuridão dos erros transatos.

Quando Jesus, em pleno ministério, sabendo que sua mãe e seus irmãos o procuravam com ansiedade, de forma surpreendente interrogou ao grupo aturdido que O queria submeter à sua sombra coletiva: - Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?- e após olhar em derredor, a todos elegeu como sendo a Sua família, pois que - completou - todo aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

O Seu amor familiar ampliava-se a toda a Humanidade para a qual viera, rompendo os grilhões do grupo restrito, para ensinar que na condição de serem todos os indivíduos filhos de Deus, uma só e única família. Ele já se houvera desincumbido dos deveres no lar, encontrava-se na idade adulta, direcionava os passos para o objetivo essencial para qual viera; não seria, portanto, lícito que se detivesse para atender às paixões e controles de qualquer natureza, em detrimento das determinações de Deus.

Absolutamente lúcido, dispondo da Sua faculdade de Espírito Superior, conhecedor do passado das criaturas e das injunções reencarnacionistas em que se encontravam, sem abandonar os compromissos morais da afetividade humana, preteriu-os, preferindo não se afastar por um momento sequer da determinação de realizar a tarefa encetada.
Amar sempre, é o impositivo existencial, nele incluindo todo o clã e, particularmente, pai e mãe, a fim de viver longo tempo na Terra que o Senhor Deus dará, conforme preconiza o Decálogo (Êxodo, cap. XX, v. 12).
Joanna de Ângelis

Fonte: Comunidade Espírita


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domingo, 1 de janeiro de 2012

O perdão das ofensas

                                           Quantas vezes perdoarei a meu irmão? 
Perdoar-lhe-eis não sete vezes, 
mas setenta vezes sete vezes.
Eis uma dessas palavras de Jesus que mais 
devem atingir a nossa inteligência a falar 
mais alto ao vosso coração. 
Comparai essas palavras de misericórdia 
com as da oração tão simples, 
tão resumida e tão grande em suas 
aspirações, que Jesus dá aos seus discípulos, 
e encontrareis sempre o mesmo pensamento, 
Jesus, o justo por excelência, responde a 
Pedro; ainda que a ofensa te seja 
frequentemente; ensinarás aos teus irmãos 
esse esquecimento de si mesmo que os torna invulneráveis contra o ataque, os maus procedimentos e as injúrias; 
serás brando e humilde de coração, 
não medindo jamais a tua mansuetude; 
farás, enfim, o que desejas que o 
Pai celestial faça por ti; 
não tem ele que te perdoar frequentemente, 
e conta o número de vezes que seu perdão 
desce para apagar suas faltas?


COMENTÁRIOS DE NEIDE FRAGA

Queridos amigos ( irmãos )
falar em perdão das ofensas é fácil,
o difícil é pratica-las principalmente
quando perdoamos e continuamos a ser
ofendidos constantemente,
nós que somos ainda encarnados e estamos
longe da evolução espiritual não conseguimos perdoar de coração, podemos quando muito não revidarmos as ofensas recebidas, mas não a esquecemos e muito menos perdoamos de
coração, mas fácil se torna deixar de lado
quando se trata de uma ofensa leve,
no entanto o que fazemos quando esta ofensa
nos atinge no que há de mais caro para nós ?
Um exemplo, um irmão que ainda esta longe
do conhecimento da lei do retorno tira a
vida de um ente querido nosso, o que
dizemos: _ Se eu o encontrar eu acabo com ele!
E com todo certeza muitas vezes é o que
acontece, ou seja, é feita a justiça com as
próprias mãos. Não temos a paciência de esperar
a justiça divina fazer cumprir o retorno e
assim o ódio , o desejo de vingança seguem-se
por séculos, um ofendendo o outro ao passo que
se o perdoarmos de coração e colocarmos o julgamento nas mãos de Deus isso se
encerraria por ali mesmo e o culpado ficaria
sozinho nas leis de causa e efeito.
Se somos tão falhos como podemos pedir perdão
a Deus , se nem mesmo nós conhecemos esse sentimento , porque quem ofende não se julga culpado ,mas o ofendido se sente vítima,
quem pode garantir que já não fizemos uma montanha de maldade aos nossos semelhantes, ofensas iguais ou até maiores das que recebemos .
Se fossemos bons , puros e mansos não estaríamos aqui nesta escola chamada terra e sim no
reino dos anjos.
Vejam amigos, quanta bondade emana de nosso
Pai maior nos dando a chance de aprendermos,
então porque deixar para amanha o perdão das ofensas. O dia é hoje e a hora é agora,
vamos começar a orar por quem nos tem ofendido.
Lembrem-se Jesus disse: Quem se humilhar será exaltado e quem se exaltar será rebaixado.
Pensemos nesta lição com amor ,
se Jesus que deu sua vida para nos ensinar o
perdão das ofensas disse: Pai , perdoai-os eles
não sabem o que fazem!
Quem somos nós para julgar,
condenar e não perdoar.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O espírita come ou não come carne?

No Espiritismo cada um age de acordo com a sua consciência, sabendo que mais cedo ou mais tarde terá que ajustar-se à lei natural de causa e efeito. Nada é proibido e aqui se enquadra perfeitamente a alimentação carnívora, apenas uma opção de cada indivíduo. Conheço particularmente um destacado orador espírita que, pelo menos, até há algum tempo atrás não dispensava um suculento bife antes de suas concorridas palestras. Não sei se já reformulou sua predileção carnívora mas o fato é que sua atitude alimentar que não o afastava do concurso dos bons espíritos, sempre ao seu lado, inspirando-o e protegendo-o em todos as ocasiões.
Penso, porém, que independente da questão religiosa, não se dever comer carne por muitas razões. Aqui estão algumas:
1° - O homem é um ser vegetariano, tanto que não temos as presas dos animais carnívoros e o alimento se demora muito tempo se decompondo em nossos intestinos onde se completa a digestão. Nos animais carnívoros, o intestino é bem menor que o nosso e a matéria inútil é logo expelida pelas fezes, ao contrário do que acontece com os humanos.
2° - A velha crença indígena de que “comendo a carne do guerreiro nos torna mais valentes” tem o seu fundo de razão, pois ao comermos a carne animal absorvemos também o seu psiquismo primário, que a cocção não elimina e do qual estamos procurando nos livrar em nossa atual condição humana.
3° - Os animais são nossos irmãos inferiores na longa escala de evolução do espírito e não é justo criá-los, muitas vezes com carinho, para depois sacrificá-los barbaramente.
4° - Quem conhece o ambiente dos matadouros sabe que os animais sentem o "cheiro da morte no ar" e ficam completamente desesperados nos momentos que antecedem o seu sacrifício segregando então grande quantidade de toxinas na sua carne que por isso não é um alimento saudável.
5° - A pecuária intensiva praticada atualmente, já representa um quinto do total de emissões de gases que provocam o efeito estufa - o superaquecimento do planeta - segundo informe divulgado pela FAO (Agência para Agricultura e Alimentação da ONU). Os gases do esterco e da flatulência dos animais, mais o desmatamento para criar pastagens e a energia usada nas fazendas fazem com que os rebanhos respondam por 18% dos gases do efeito estufa.
7° - Aqueles que seguem uma alimentação rica em carnes, onde consomem várias vezes mais proteínas do que as que são necessárias, acabam morrendo mais cedo. Essas proteínas extras não apenas constituem um desperdício como nos predispõem às mais variadas doenças do coração, artrite, câncer de mama, câncer de próstata, câncer do cólon, osteoporose, diabetes, asma, pedra nos rins, impotência e obesidade.
8° - Matar animais gera profunda insensibilidade para com todos seres, sadismo e irreverência geral. Pitágoras já ensinava: "Aqueles que matam animais para comer serão mais propensos que os vegetarianos a torturarem e matarem seus companheiros humanos." Donde se conclui que enquanto houver matança de bichos haverá guerras em nosso planeta.
Precisa dizer mais? Bom, então toma nota: a humanidade mais evoluída que vem por aí, a do terceiro milênio, vai nos considerar uns bárbaros, da mesma forma como nós hoje consideramos os canibais.
       

FONTE: Jornal O Mensageiro
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